Auto estima e números

 

Eu escrevi esse post inteiro e deu erro no envio. Aqui vou eu escrever ele todo mais uma vez. Não sei se vai ficar melhor que o primeiro.

Eu finalmente cheguei em um ponto onde eu me sinto bem com o meu corpo. Isso fez com a minha atitude em relação ao emagrecimento fosse mudando. No início eu gostava muito de me pesar, números, de gráficos… Agora eu esqueço de me pesar, esqueço de anotar o peso… Porque eu não preciso mais disso. Apesar dos números estarem mudando cada vez mais devagar eu me sinto cada vez melhor. Já não preciso que um número me diga que eu estou bonita. Eu sei disso.

E vamo combinar que um número não faz muito sentido, né? E daí que o meu peso dividido pelo quadrado da minha altura diz que eu sou gorda? O meu espelho diz que eu to linda, o músculo do meu braço diz que eu to saudável e o meu paquera diz que eu to gostosa. E a vida é isso. A vida não é pesar o prato de comida todo almoço nem passar as semanas observando os números mudarem em um visor de balança. A vida é se sentir bonita com o vestido novo ou sem ele. Ir pra praia. Descobrir novos sabores na cozinha. Partilhar tudo isso com pessoas queridas…

Não to cuspindo no prato que comi. Muito obrigada, números. Vocês me ajudaram a perceber que eu estava evoluindo e que tudo ia dar certo. Me ajudaram a diminuir a ansiedade e a me sentir no controle da situação. Foram a minha muleta emocional. Mas agora eu não preciso mais disso. Já posso caminhar sozinha.

Não sei se vou chegar aos 65kg. Mas isso não me importa mais. Sei que não estarei menos bonita com 68kg ou 70kg. Também não me importa se eu vou alcançar isso agora, com 1 ou com 2 anos de cirurgia. Enquanto isso eu vou lá viver.

 

 

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Paciência ou tudo certo na Bahia

 

Tão em paz que não tenho nem vergonha de botar o pé pra cima no meio do restaurante.

       Tão em paz que não tenho nem vergonha de botar o pé pra cima no meio do restaurante.

 

Eu estava muito ansiosa. Queria muito perder os primeiros 10kg, sair dos 90kg, perder os primeiros 20kg… Agora eu to em paz. Não tenho mais medo de passar mal. Não tenho medo de estar comendo muito ou pouco. Encontrei o meu meio termo. Não tenho mais medo de não emagrecer.

As coisas então todas bem. Meu peso está descendo, devagar e sempre. Cheguei em um peso a partir do qual eu já fico confortável. Já consigo me sentir bem. Então estou tranquila para esperar o resto dos resultados. O resto da minha vida também está muito boa. Muito tranquila. O que me ajuda a não ficar ansiosa nem descontar na comida.

A única coisa chata agora é o meu cabelo que continua caindo. Tem épocas que cai mais e épocas que cai menos. Acho que quando eu tomo tudo certinho por vários dias a queda diminui. Quando eu esqueço de tomar alguma coisa por um tempo a queda aumenta. Mas não tá me preocupando. Pelo menos não ainda.

Por enquanto, tudo certo na Bahia. Brisa boa de meu Deus.

Dificuldade para emagrecer

Comecei a olhar os números e fazer cálculos. No ritmo que eu estou emagrecendo nunca vou conseguir chegar na minha meta de 65kg.

Eu emagreci 9,1kg no 1º mês, 4kg no 2º e 3,3kg no 3º. É muito pouco pra um pós operatório recente. Estava conversando com a minha amiga próxima que eu acompanhei a cirurgia. Ela tem a mesma altura que eu e operou com +- o mesmo peso. Ela perdeu 9kg no 1º, 8kg no 2º e 8kg no 3º. A partir daí foi perdendo 4kg ou 3kg por mês.  Muito mais do que eu.

Ela chegou a falar que não é possível. Meu corpo não é normal. Ele luta com todas as forças contra a perda de peso. Eu fiz cirurgia, faço academia, como certinho 100g por refeição, não como glúten nem lactose… O que mais eu posso fazer?

Não quero passar por tudo isso para estabilizar o peso em 80kg e continuar gorda. Sem nunca ter sentido o gostinho de ser magra.

Vou marcar ortomolecular, cirurgião e o que mais der. Vou conversar com eles. Ver se tem alguma explicação. Se tem algo que eu possa fazer. Antes que seja tarde demais.

Perda de peso

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Eu escrevendo esse post

 

Nas ultimas duas semanas eu só perdi 1,2kg. Gente, um quilo e duzentos gramas em duas semanas? Malhando. No terceiro mês de bariátrica? Não sei se eu vou conseguir perder 3kg esse mês. To arrasada. É muito pouco. Já comecei a pensar o que eu posso tirar da dieta. Acho que vou diminuir os carboidratos. Vou dar preferência a verduras e diminuir arroz, raízes… Porque eu não sei mais o que eu posso fazer.

Vida que segue

Já se passaram dois meses desde a cirurgia e a minha vida voltou ao normal. Não vejo diferença nem mudança de vida.

Nunca passei mal, não sinto nada relacionado a cirurgia. Já reintroduzi quase tudo que eu costumava comer. Eu não tomo refrigerante, não como frituras e continuo sem glúten e sem lactose. Mas… eu já fazia essas coisas antes. Nunca tomei refrigerante e nunca fui de fritura. Inclusive tem quase 1 ano que óleo não entra aqui em casa. Então pra mim não faz diferença. Já belisquei uns doces, fiquei bem. Não como doce todo dia nem mais que uma colherzinha quando acontece, mas se alguém me oferece e estou com muita vontade eu como. Continuo com as vitaminas e proteína mas também já fazia isso antes.

Emagreci um pouco mas ainda dentro do que eu já tinha perdido antes com outro tratamento. Não comprei nenhuma roupa. Só voltei a usar algumas que estavam guardadas a algum tempo.

Resumindo, até o presente momento, não mudou a minha vida. Só como menos. Isso tem o seu lado positivo e o seu lado negativo. Positivo porque não me sinto doente nem restringida de forma alguma. Negativo porque eu ainda não me vejo numa nova vida, magra e saudável. Talvez quando eu emagrecer mais… Talvez quando eu chegar em um peso menor que 85kg ( menor peso que eu tive na minha vida adulta) isso mude.

Resultados, números e culpa

Eu esperava estar perdendo peso muito mais rápido. Eu planejava ter perdido até agora uns 15kg ou 16kg. Só perdi 13kg. Agora que eu fui escrever e colocar em palavras me pareceu meio besta. Não é nem 15% a menos do que eu esperava. Olha… Só de escrever isso aqui já me ajudou. Hahahahahah de verdade.

Mas… voltando a questão… Eu tento racionalizar que fui eu que coloquei essas metas.  Médico e nutricionistas não me falaram nada. Eu que resolvi que queria esses números. E são números, né? É uma representação bem ruim da realidade. Existem tantos fatores envolvidos. Existe a questão da porcentagem de massa magra e gordura que eu estou perdendo. Perder 13kg de pura gordura é muito melhor do que perder 15kg de gordura+músculo. O fato de que 13kg já é 30% da minha meta de perda de peso pra toda a cirurgia. O detalhe de que a minha menstruação veio hoje e eu posso ter retido líquidos na tpm, talvez eu elimine meio ou um quilo de líquido nos próximos dias. Esqueço que emagrecer sempre foi difícil pra mim, eu nunca batia as metas que outras pessoas batiam estando na mesma dieta. Meu metabolismo é lento e luta com unhas e dentes contra a perda de gordura. Existe tudo isso. Eu sou uma mulher madura, racional, que compreende todos esses fatores e que daria o conselho maravilho de relaxar para qualquer amiga que viesse me falar essas coisas. Mas eu cresci ouvindo que eu era gorda porque não tentava o suficiente e que a culpa das minhas metas não serem batidas era minha. Eu sou a errada. Eu não estou fazendo o suficiente. Eu não estou seguindo o programa como deveria. Certamente estou roubando. Quando eu digo que estou fazendo certo, estou mentindo.

Todos esses discursos ouvidos repetidas vezes desde a infância ficaram na minha cabeça e estão dando eco. Então começo a me sentir culpada. Hoje eu saí com meus pais e comi um espetinho de frango. Me senti cheia. Não consigo parar de pensar que aquilo foi demais. Que eu não deveria ter comido o espetinho inteiro. Que ele pode ter sido feito com óleo. E que a minha imprudência em comer aquele espetinho de frango é a explicação para os 2kg que faltam pra minha meta. A culpa foi minha, quando entre uma refeição e outra eu comi um punhado de uvas passas. A culpa foi minha quando eu comi peixe com legumes no restaurante, quando obviamente eu deveria ter comido em casa onde eu posso controlar a maneira que é preparado. Esses 2kg são um fracasso retumbante e a culpa é minha.

Deixando comida no prato

Uma coisa que eu estou aprendendo depois de ter feito a cirurgia bariátrica é a deixar comida.

Desde muito novinha eu, e muita gente, ouvi da minha mãe que eu deveria largar comida no prato. Também ouvi “não tá com fome mas senta na mesa de almoço e come alguma coisa”. Eu fui internalizando tudo isso. E por muito tempo eu não deixei comida no prato. Se eu fosse a um restaurante e o prato fosse grande, eu comia todo. Mesmo que fosse mais que o necessário pra mim. Com a minha jornada de perda de peso dos últimos anos fui aprendendo a pedir para dividir. Se sabia que o prato era grande, dividia com alguém para não dar oportunidade de sobrar. Depois da cirurgia não é só questão de bom senso. Comer além do limite significa passar mal.

Depois da cirurgia continuei a evoluir nesse sentido. Tento colocar no prato pesadinho a quantidade que eu como. Ainda assim algumas coisas são mais densas que outras. E eu não forço. Ouço meu corpo. É suficiente pra ele? Então está na hora de parar.